quarta-feira, 16 de março de 2011

Espiritualidade e Dependência Química

A Espiritualidade e a Dependência Química.

Minha querida amiga Kelly Bohler sugere-me que escreva sobre espiritualidade e o tratamento da dependência química. Kelly é enfermeira e tivemos a oportunidade de trabalhar juntas em uma unidade de saúde para tratamento de usuários de álcool e outras drogas.
A questão dependência química é bastante complexa, a própria expressão é questionada por alguns profissionais que estudam e vivencia o tema. Para alguns o termo dependência química é inadequado. Alguns profissionais ligados a área de psicologia, psicanálise, sociologia, apresentam certa tendência a negar os aspectos biológicos da dependência, no extremo oposto há médicos que justificam a dependência apenas pelos aspectos bioquímicos e neurofisiológicos. Não há dúvidas que é necessário ampliar o foco da questão para aspectos emocionais e sociais, por outro lado negar os aspectos neurofisiológicos fortemente envolvidos seria uma temeridade. O consumo de drogas (incluindo álcool, é claro), produz alterações no metabolismo e na produção de substâncias químicas a nível cerebral, criando novos padrões de funcionamento e uma necessidade biológica de consumo para aliviar os sintomas de abstinência. Ao tentar desprezar este aspecto químico da relação homem droga apenas faz atrapalhar o tratamento desta condição.
Analisando todos estes aspectos devemos concordar que o termo adicção, por exemplo, é mais adequado no sentido de promover a inclusão de todos os aspectos envolvidos na condição dependência a substâncias., pois podemos então falar de uma condição multifatorial que envolve aspectos psico sociais e neuroquímicos. Este enfoque amplo permite, e até exige, a atuação de equipes multidisciplinares no tratamento do adicto. A amplitude de visão sobre as causas da condição multiplica as abordagens e facilita o tratamento.
A condição de dependência ao álcool e outras drogas é complexa e multifatorial, há muito ainda a ser estudado nesta área e nem mesmo entre os profissionais que trabalham neste campo há consenso sobre alguns aspectos envolvidos. Acrescentemos a isto um possível novo fator a ser analisado: a espiritualidade. O que já sabemos cientificamente é que preces e grupos de oração são capazes de influir favoravelmente na recuperação de pacientes com condições orgânicas, como cardiovasculares. Esta melhora da evolução ocorre sem que o paciente saiba que há um grupo orando por ele, logo não se trata de um efeito psicológico gerado pela fé do paciente. Outros estudos vêm sendo conduzidos sobre cura não local, aquela em que alguém, geralmente um curador espiritual ou healler, envia intenções de cura a um paciente que esta distante ou aplica a energia de suas mãos enviando intenções determinadas. Boa parte destes experimentos vem sendo conduzidos com plantas, mede-se a capacidade do healler influenciar o metabolismo vegetal através da intenção e da energia psíquica que emite. Estive em alguns congressos de parapsicologia e fiquei bastante surpresa com os relatos de eventos de cura não local presenciados por grandes autoridades mundiais no estudo da energia psíquica e com experimentos que têm sido realizados, especialmente no Japão, EUA e Inglaterra.
No Brasil há muitas instituições religiosas que tratam dependentes químicos, elas surgem muitas vezes em condições precárias tentando preencher o vazio deixado pelas políticas públicas de saúde que não contemplam a população com instituições especializadas para receber estes pacientes. Por maior e mais louvável que seja o esforço destas instituições o que pude observar é que a maioria delas funciona sem orientação de técnicos científicos e muitas delas inclusive tentam proibir o uso de medicamentos baseando apenas na fé o tratamento, o que geralmente é causa de insucesso. Temos aqui uma divergência improdutiva entre ciência e fé que deveriam estar unindo forças e testando hipóteses de trabalhar sinergicamente e de forma mais eficaz no auxílio desta triste condição humana que é a dependência química
Uma voz bastante respeitável que se ergue no mundo científico em favor da existência de aspectos espirituais na drogadicção é Stanislav Grof. Este psiquiatra oriundo do leste europeu que trabalha nos EUA há muitos anos, tem uma longa experiência na pesquisa deste tema e classifica a dependência química como uma forma de emergência espiritual. São mais de cinqüenta anos de cuidadosos estudos relatados em vários livros que compõe a obra de Grof, um dos fundadores da psicologia transpessoal, e que hoje servem como referência para trabalhos em tradicionais instituições como Harvard.
O debate sobre aspectos espirituais do adoecer psíquico e da dependência a drogas ainda é um novidade. Muito mais precisa ser feito em termos de pesquisa séria sobre o tema. O universo do inconsciente coletivo, conforme a obra de Jung, contem forças ativas que se comunicam com o inconsciente do indivíduo. Estas mesmas forças descritas por Jung correspondem ao que tradicionalmente é conhecido como mundo espiritual. Existem muitas razões para pesquisarmos a relação entre cura e espiritualidade em todas as áreas. A própria física nos alerta sobre eventos quânticos, eventos reais nesta dimensão, determinados pela expectativa humana. Falaremos mais sobre isto em outra oportunidade.

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